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Gostava de por em palavras tudo o que sinto. Mas as minhas poucas palavras não chegam.
Podia dizer " Desaparece da minha existência", ou "Não me sigas, não quero saber mais de ti. Não me mereceste nunca, eu é que entendi tarde de mais...". Mas em tudo o que possa escrever, irá faltar sempre alguma coisa.
O sentimento é algo que não se consegue sintentizar em palavras, frases ou versos. O sentimento, sente-se...apenas e só... E é muito dificil partilha-lo.
É algo que, para bem ou para mal, é apenas nosso e não sai de lá quando queremos. Ele vem sem avisar, entra sem bater à porta, deixa-nos bem ou mal ou algures entre os dois e sai, sem dizer nada, muito devagar ou num piscar de olhos.
Seja como for, gostava de poder partilhar com o mundo tudo o que sinto neste momento, mas não posso. São os meus sentimentos e mais ninguém os pode sentir por mim.
Talvez, e só talvez, o que mais se aproxime do sentimento humano seja a poesia. E talvez, de toda a poesia que conheço, seja este o poema que mais se parece ao que eu sinto.
Puedo escribir los versos más tristes...
(Pablo Neruda)
Puedo escribir los versos más triste esta noche.
Escribir, por ejemplo: "La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos".
El viento de la noche gira en el cielo y canta.
Puedo escribir los versos más triste esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.
En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
¡La besé tantas veces bajo el cielo infinito!
Ella me quiso, a veces yo también la quería.
¡Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos!
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.
Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.
Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.
Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.
Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.
La misma noche que hace blanquear los mismos
árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.
Ya no la quiero, es cierto, ¡pero cuánto la quise!
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.
De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.
Porque en noches como ésta, la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.
Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y estos sean los últimos versos que yo le escribo.
Imagem - Old guitarist
Pablo Picasso 1903 - 1904
domingo, 2 de março de 2008
Sentimentos
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Kismet, Hardy

"kismet, Hardy" foram, segundo a crença popular, as ultimas palavras de Lord Nelson. Embora não passe de um mito, não deixa de ser um facto interessante o povo inglês da época ter posto a palavra kismet (destino) na boca do seu heroi nos seus últimos momentos.
"Foi o destino", pensaram todos. Lord Nelson, almirante da real marinha britânica, que tantas vitórias deu à Coroa (incluindo a vitória em Trafalgar contra todas as probabilidades, onde viria a morrer) não podia ser um homem que cometesse erros. O destino foi o culpado da sua morte. Tinha que ser... Assim estava escrito... Nada havia a fazer...
Custa muito admitir que os nossos herós também falham. Custa mais ainda admitir que nós próprios também falhamos.
O nosso Destino é, portanto, culpado da maioria das coisas más que nos acontecem. Porque nós não temos nunca a culpa... Foi o Destino que assim quis. E depois queixamo-nos, amaldiçoamos o Céu e a Terra pelo nosso malvado fado que nos atormenta e não nos deixa seguir adiante.
De nada adiantam estas maldições. Nunca nos fazem sentir melhor. Os problemas continuam lá muito depois de nos cansarmos de praguejar.
Na minha opinião, deviamos esquecer o Destino. Deviamos sim ter força para aceitar os obstáculos que a vida nos apresenta, coragem para os enfrentar e humildade para aceitar aqueles que, simplesmente, não podemos vencer.
Quanto ao "kismet" de Lord Nelson... Bem, no dia 21 de Outubro de 1805, Lord Nelson preparou-se para o combate contra a armada franco-espanhola, vestindo a sua farda de gala com todas as suas medalhas e condecorações. Quando o Victory de Lord Nelson ficou ao alcance dos atiradores do franco espanhol Redoutable começaram os disparos de ambas partes. Os alvos preferenciais eram sempre oficiais de altas patentes. Nelson foi baleado durante este encontro.
Destino ou indumentária incorrecta para a ocasião?
Gracias Lauri
Imagem - Capitão Horatio Nelson
John Francis Rigaud 1781
